Data Visualization Lisboa: o nosso pequeno mundo à distância
Este não é um ensaio sobre como a pandemia de Covid-19 nos levou a todos a confinar nos nossos computadores. Este é um ensaio sobre como, paradoxalmente, a nossa comunidade se aproximou durante estes dois anos, apesar das dezenas, centenas, ou milhares de quilómetros entre cada uma das nossas bolhas.
Quando a Coro e a Sara fundaram o Data Visualization Lisboa, tinham o propósito muito claro de descobrir e juntar os amantes de gráficos e de diagramas em Lisboa e, quiçá, se tudo corresse bem, de Portugal. Mas não correu tudo bem. Ou pelo menos, não correu conforme o planeado. E, como no mundo inteiro, foi preciso reformular.
Na primeira meetup à distância, em junho de 2020, foi logo possível viajar para o outro lado do mundo com Alberto Cairo. E apesar de parecer uma loucura receber um nome tão gigante numa meetup que ainda era tão pequenina e num formato que não dominávamos, seguiram-se 19 outras meetups com convidados da mesma envergadura.
Ao longo destes quase dois anos e quase 30 meetups, quase 20 delas online, foram-se habituando a gerir uma equipa à distância, a receber os convidados nas suas próprias casas e horas do dia, e a aproximarem-se de uma comunidade, mesmo sem conversa fiada ou coffee-break.
Começaram pelos gigantes da literatura em Visualização de Informação como Alberto Cairo, Manuel Lima e Isabel Meirelles, mas também daqueles que se têm tornado leituras obrigatórias recentemente, como Jon Schwabish e RJ Andrews. Receberam mentes que estão a mudar o modo como os dados influenciam a vida das pessoas, como a Catherine D’Ignazio e Lauren Klein, Amanda Makulec, Silvia Fierascu, Sarah Williams e Jer Thorp. Aprenderam com o método de trabalho dos que produzem visualizações extraordinárias dentro das suas áreas específicas, como Moritz Stefaner, Maarten Lambrechts, Nadieh Bremer e Shirley Wu, Giovanni Petri, Miriam Quick and Duncan Geere, Gabriel Gianordoli, Jane Adams e Gabrielle Merite. E ouviram pessoas que, como eles, querem agitar a comunidade, como o Rodrigo Medeiros e o Cédric Sherer.
Uma das preocupações centrais sempre foi mostrar projetos e portfólios diferentes e dar a conhecer as várias áreas da Visualização de Dados: o jornalismo, o design, a saúde pública, a ética, a tecnologia, os métodos, a criatividade, os sistemas complexos, o data storytelling… O que procuram é criar uma comunidade viva e envolvida, em que métodos e visões diferentes convergem, ao invés de polarizar.
Em 2021, criaram novas maneiras de expressar este gigante amor que têm a visualizações e de receber ainda mais pessoas que partilham deste entusiasmo. Então, criaram o Pastel de Data, a sua newsletter que dá prioridade ao que é português ou em português. Todos os meses, convidam um profissional de Visualização de Dados da lusofonia a responder a uma entrevista curta e leve. Ali mesmo no final do ano, começaram a publicar o VisLis Review, para partilhar, refletir, e trazer para a conversa do dia-a-dia as ideias que andam nas bocas do mundo da investigação e da Academia.
Para o futuro, têm muitos planos: de voltar a ver pessoas cara-a-cara, de continuar a conhecer mentes incríveis de outros fusos horários, de falar sobre Visualização em português, de continuar a divertirem-se imenso e a conhecer pessoas extraordinárias.
Esse post foi originalmente postado no Medium do datavizbr e pode ser encontrado no link acima.