Minha experiência com ensino de Design da Informação e Dataviz em modo remoto
Enfim termina 2020, e com ele minha primeira experiência de ensino de design da informação e visualização de dados em modo remoto.
A pandemia e o ensino remoto
Na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) mal havíamos iniciado o semestre letivo 2020/1 quando as atividades foram interrompidas pela pandemia. Somente em setembro retornamos às atividades, na modalidade Ensino-Aprendizagem Remoto Temporário e Emergencial (Earte). A Ufes adotou o G Suíte para Educação, pacote de programas do Google que favorece enormemente a realização de atividades colaborativas em modo remoto.
Repensando a disciplina Design da Informação
A disciplina foi organizada em três módulos de complexidade crescente:
- Módulo 1 — Definições e princípios elementares (4 semanas): percepção visual, linguagem visual, variáveis visuais de Jacques Bertin.
- Módulo 2 — Visualização de dados — coleta, tratamento, design (4 semanas): tipos de gráficos, tabelas, mapas, diagramas.
- Módulo 3 — Infografia (5 semanas): tipos de infográficos, retórica, criação de infográfico completo.

Evolução do infográfico da dupla Keila Braga e Maryah Fernanda Rocha, alunas do 1º período do curso de Design. A cada iteração, pequenos ajustes foram dando forma ao resultado final.
Projetos desenvolvidos
Projeto 1: Selfie de dados
Atividade baseada no projeto Dear Data. As alunas e os alunos registraram suas atividades diárias durante uma semana e propuseram uma visualização à mão livre. Cada visualização deveria ser acompanhada de uma página com sua chave de leitura.


Selfie de dados de Julia Gava, aluna do curso de Arquitetura e Urbanismo.


Selfie de dados de Maria Clara Rampinelli, aluna do 1º período do curso de Design.


Selfie de dados de Lívia Rocha, aluna do 1º período do curso de Design.


Selfie de dados de Nathan Ramalho Lopes, aluno do 1º período do curso de Design.
Projeto 2: Mapa afetivo
Desenvolvimento de um mapa afetivo da região onde a pessoa mora ou morou. Os dados poderiam ser quantitativos ou qualitativos — rotas, locais, pessoas, sensações. A escala de abrangência era livre.

Mapa afetivo de Raquel Paulo Silva, aluna do 1º período do curso de Design.

Mapa afetivo de Matheus Carneiro, aluno do 1º período do curso de Design.

Mapa afetivo de Maria Clara Rampinelli, aluna do 1º período do curso de Design.

Mapa afetivo de Manuela Magalhães, aluna do 3º período do curso de Design.

Mapa afetivo de Júlia Ramos Brito, aluna do 3º período do curso de Design.
Projeto 3: Infográfico de narrativa de cinema
Desenvolvimento de um infográfico que apresentasse dados sobre a narrativa de um filme de livre escolha. Inspirado em trabalho apresentado por Isabel Meirelles no CIDI 2005. Foram cinco semanas de trabalho com ciclos iterativos.

Infográfico de Ana Luisa Meyer e Nathalia Sabino Thomes, alunas do 3º período do curso de Design.

Infográfico de Letícia Gracelli, aluna do 1º período do curso de Design.

Infográfico de Raquel Paulo Silva, aluna do 1º período do curso de Design.

Infográfico de Lucas Posses, aluno do 1º período do curso de Design.

Infográfico de Fernanda Cardoso, aluna do 2º período do curso de Design.
O que aprendi com esse semestre
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Flexibilidade para mudanças: reduzir carga de atividades, flexibilizar entregas. O que importava não era a nota, mas que o aluno tivesse bons resultados.
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Ciclos iterativos de avaliação: entregas parciais a cada semana com devolutivas individuais por escrito potencializaram melhores resultados.
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Modos de participação das turmas: a “apreciação pública” dos trabalhos durante as aulas síncronas se mostrou fundamental para complementar a aprendizagem.
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Clareza nos critérios de avaliação: divulgação antecipada das rubricas de avaliação foi destacado positivamente pelas turmas.
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Trabalhar com temas de interesse individual: aproximar os temas à realidade dos alunos facilitou a conexão com os trabalhos.
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Dificuldade no uso de programas e trabalhos manuais: tanto trabalhos manuais quanto digitais geraram resistência e aderência em diferentes perfis de alunos.
O semestre foi um desafio pessoal tremendo. Ao fim e ao cabo, acho que a experiência foi extremamente positiva.
Mauro Pinheiro é designer, com experiência nas áreas de design da informação e design de interação. Pesquisador e professor na UFES desde 2004, é um dos coordenadores do ProDesign Ufes.
Esse post foi originalmente postado no Medium do datavizbr e pode ser encontrado no link acima.