Por que publicar na datavizbr?

Vinícius C. Barqueiro

Há alguns anos, em 2020, publiquei aqui no datavizbr o artigo Dez dicas para deixar sua visualização de dados mais acessível. O texto nasceu de uma necessidade muito prática: embora existissem diversos materiais sobre visualização de dados, havia pouca literatura reunindo recomendações claras para tornar gráficos, tabelas e mapas mais acessíveis.

Na época de sua publicação, fiz uma escolha consciente pelo datavizbr. Acreditava que este canal aumentaria as chances de o conteúdo chegar a quem efetivamente o utilizaria na ponta: profissionais de comunicação, designers, jornalistas, analistas de dados e servidores públicos. Minha preocupação central estava menos na circulação acadêmica do texto e muito mais no seu potencial de uso diário.

O tempo passou e os resultados provaram a força desta comunidade. Olhando para trás, é fascinante notar como o conhecimento, quando compartilhado no ecossistema certo, ganha vida própria.

O alcance do conteúdo na prática

Ao longo dos anos, o artigo passou a ser apropriado por diferentes canais e contextos. Essa trajetória evidencia o impacto real de discutirmos acessibilidade em visualização de dados abertamente:

A lição para a nossa comunidade de Dataviz

Como profissional que atua com Gestão de Pesquisa, convivo com debates sobre como avaliar o impacto da produção intelectual além dos indicadores tradicionais (como citações acadêmicas), um movimento liderado por iniciativas como a DORA e o Manifesto de Leiden. Esses indicadores são ótimos para a ciência, mas dificilmente mostram quando uma pesquisa passa a orientar serviços públicos ou a apoiar a formação de profissionais no mercado de trabalho.

A natureza da minha publicação original e dos materiais que a citaram dificilmente apareceria em uma análise bibliométrica tradicional. No entanto, ao reconstruir essa trajetória, fica claro que o conhecimento produzido foi apropriado por diversas comunidades e passou a apoiar iniciativas reais de comunicação pública e acessibilidade digital.

Para nós, produtores e consumidores de visualização de dados, a grande reflexão é: onde publicamos importa. Plataformas colaborativas como o datavizbr têm o poder de extrapolar a bolha acadêmica e colocar metodologias aplicadas nas mãos de quem constrói a informação consumida pela sociedade.

Espero, com esse relato, incentivar cada colega leitor a também compartilhar suas práticas, códigos e descobertas em visualização de dados. O impacto do seu trabalho pode estar ajudando a construir painéis, cartilhas e políticas governamentais muito além do que as métricas conseguem medir.


Nota do curador: eu não pedi este texto. O Vinícius publicou aqui em 2020 e me escreveu seis anos depois para contar onde o artigo dele chegou — de uma cartilha do W3C a um padrão do governo federal. Achei que a história valia mais como relato dele do que como post meu.